sexta-feira, 20 de julho de 2018

Um Novo Cilco


Um novo ciclo...

Vou contar a vocês resumidamente a minha caminhada até aqui. Até finalmente aceitar o cargo eu saí de três casas.

1ª) A Primeira, onde eu nasci pra religião, era a casa da minha mãe carnal
Passei anos discutindo com a hierarquia por causa de fundamentos até colocar eles em testes sem que soubesses e não passaram. (NÃO ACONSELHO FAZEREM ISSO)
Assisti marmota e humilhação publica de filho de santo. Proteção exacerbada desnecessária e preferencias descaradas.
Eu me desliguei extraoficialmente e depois fui desligado. Peguei ali meu cargo entre trancos e barrancos e provas que a espiritualidade de fato se manifesta em locais que duvidamos quando assim é sua vontade.
Eu simplesmente não respeitava mais a hierarquia pois vi muita marmota e erros em cima de erros. A Hierarquia era: Yalorixá (Babalorixá) – Mãe (Pai) De Santo - Mãe (Pai) Pequena (o) - Ogã.
Eu cheguei a pai de santo lá ficando pouco mais de 7 anos entre trancos e tropeços.
Saí renegando tudo que aprendi e fui diretamente para a segunda casa....

2ª) A segunda, onde recebi alguns fundamentos, saí por motivo de mudança e fui abandonado. Saí da religião por algum tempo depois disso. Não tenho muito o que falar do meu período lá. Foi intenso o aprendizado e sou grato por isso.

Um Hiato - Eu estava em busca de uma casa e já tinha batido cabeça em alguns lugares.
Achei duas que me chamaram atenção, porém, em uma eu vi a elevação do dirigente pelos seus próprios guias (o que já havia visto como prova de vaidade na primeira casa) e na segunda correu tudo a mil maravilhas até que (ainda na assistência) minha pomba gira discutiu com o Zé Pelintra dono da casa. (eu havia sido convidado a chamar meu povo naquela gira pois eles sabiam que estava buscando casa)

3ª) Entrei já com 8 anos pra 9 de religião. Já tinha rodado terreiro e quebrado a cara com alguns. Eu me encantei no início e a casa era bem similar no sentido de doutrina.
Falei com ela que estava em busca de ajeitar algumas coisas que julgava errado. Falei que meus guias já eram firmados e praticamente todos já davam consultas e tal (com exceção de um que só chegou na casa nº2 e de outro que veio apenas duas vezes na casa Nº1) e fiz a pergunta clássica: aqui homem pode trabalhar com pomba gira? A resposta dela foi positiva.

(Uma explicação: tenho uma ligação Kármica com minha moça e também ela tem uma importância muito grande em minha caminhada religiosa)

Apresentei meus fios de conta antigos das outras casas para que ela visse se algum serviria. Ela se dizia umbanda pura mas vinha de omolokô. A primeira era traçada com nação e a segunda com quimbanda. Fundamentos diferentes do dela. E ela fez pouco dos meus fios até então dizendo que estava errado e que aquilo não existia.
Entre esses fios estavam meus fios de obrigação de exú. Pedidos por eles e explicados por eles. Nas duas primeiras casas. Ela olhou e disse que o que o exu tinha pedido estava errado e que o ponto de força dele também estava porque eu era (segundo ela) de Xangô Agodô então meu exu era de almas e não de praia...
Os guias dela autorizavam os meus a fazer praticamente de tudo até que em um momento ela parou no hospital e ficou lá. Enquanto os pais e mães pequenos comandavam a casa.
Foi um pandemônio. Filhos se afastando ou se desligando mesmo. A insatisfação que já havia por trás da cortina enquanto a mãe de santo estava presente veio para o meio do salão. Preferencias e displicências foram expostas.
Eu com anos de coroa feita, com guias firmados e trabalhando com aval dos dela colocado apenas como filho de santo e proibido de tudo, consultas e dos guias utilizarem os elementos de trabalho: fumo e bebida. Vejam bem, meus guias usam os elementos desde que vieram em terra pois esse é o fundamento que eles receberam na primeira casa. Então eles se sentiram um pouco...atrapalhados mas seguiram trabalhando assim mesmo. Menos a pomba gira que em três giras não foi chamada até que eu escutei a mãe pequena dizer que a mãe de santo não gostava de filhos homens incorporado com pomba gira.
Depois de um problema com meu preto velho, meu guia chefe, ele comandou a minha retirada da casa. Me afastei sob uma alegação X e assumi meu cargo depois de alguns anos parado.

Mediante a essa vivencia desastrada como filho de santo jurei a mim e aos Orixás que cuidaria de meus filhos como eu nunca fui cuidado. Posso dizer de fato que boa parte do que aprendi batalhei muito.
Em minha pequena casa (pois bato em uma casa) meus filhos tomam banho quente, tinham suas roupas devidamente lavadas e seus fios guardados. Raramente pedia auxilio a eles nas compras do terreiro.
Nunca neguei resposta a uma pergunta que poderia ser respondida e sempre busquei dar atenção individual a todos e fazer o nome objetivo de minha Casa ser cumprido: ser um hospital de almas encarnadas ou não.
Um Dirigente é responsável pelo maior tesouro de um guia ou orixá: seu médium. E foi assim que sempre tratei meus filhos.
...
Eis que no desenvolvimento do mês de junho houve uma desavença entre dois filhos de santo meus. Analisei ambas as atitudes e chamei atenção de ambos no que estavam errados. Por mim teria finalizado o problema ali, mas não finalizou.
Ocorreu o desligamento inicialmente de dois filhos, e após isso de mais uma (típica onde a vaca vai...)
E apenas um deles fez o procedimento correto de desligamento mesmo tendo consciência de como funcionava... O desrespeito não é perante a mim, mas todo o copo de Orixás e Guias não só meus como também deles.

E tendo em vista que não haviam motivos para falar mal de mim
(A menos que fosse o fato de não atendera reinvindicação desses filhos de tomar partido no problema que houve no desenvolvimento)
Foi feito aquilo que sempre é quando não se tem a verdade ao seu lado: se utiliza da mentira. Meus ex- filhos mentiram na cara dura sobre coisas realmente importantes. Colocaram na berlinda minha integridade como Dirigente perante alguns amigos em comum (que incluem filhos da casa) e infelizmente graças a persuasão (e a uma mente muito fraca) alguns deram ouvidos. Minha já pequena corrente foi reduzida e alguns projetos atrapalhados porem não suspensos.

E nesse momento entendi o porque alguns sacerdotes se endurecem e desistem da missão. O Ser Humano não presta e eu sei disso há muitos anos pois senti na pele. Mas ser apunhalado de forma sorrateira quando sempre usei de honestidade foi realmente muito doloroso. Foi doloroso pensar que os guias a quem eu abri minhas portas e ajudei a firmar ou a vir a terra permitiram que isso acontecesse.
Doloroso pensar o quanto me doei par receber isso em troca.

E por um milésimo de segundo pensei em...parar.
Porém motivos maiores que a falta de respeito e caráter me fazem seguir em frente.

A fé na espiritualidade e seu apoio.
O apoio dos amigos.
E o apoio dos meus filhos.

A Última gira da antiga corrente foi de Xangô, meu Pai e Alafim da minha casa. E ele é justo.
A machada de Xangô desceu e cortou aqueles que não estavam de coração aqui.
Kaô Kabiecile.

Alguns perguntaram...não vai queimar eles? Desce a porrada!...
Não preciso. Xangô é agente da lei e a lei dele é justa. Da mesma forma que passou o machado e retirou as frutas podres, também devolverá aquilo aquilo que for do MERECIMENTO.
E além disso...fruta estragada cai sozinha.


Hoje dia 22/07 inicia um novo ciclo na minha casa com uma gira fechada de Nanã. Senhora do roxo a quem tudo retorna. Uma das responsáveis pelo ciclo Vida-Morte.
Que ele seja de muitas alegrias e união.  Salubá!
Agradeço o apoio dos amigos e da família espiritual.
E também agradeço a confiança de todos os guias que vieram e se mantiveram através das minhas mãos, afinal se eu não fosse confiável o guia não viria.

Eu me recuso a deixar meu coração enegrecer pela ignorância humana.
Eu me recuso perder o meu jeito que levar um terreiro por causa da traição leviana.
Eu me recuso deixar que o desamor que as pessoas semeiam toquem meu coração.
Eu não guardo as pedras que me atiraram, as pedras que me atiraram se tornam flores vermelhas e brancas que eu uso pra ornamentar o alta de Kaô.

Foi Deus quem me deu coroa, coroa Babá coroa.
Foi Deus quem me deu coroa, coroa Babá coroa.
Coroa Babá, coroa Babá, coroa pra seus filhos abençoar.
Coroa Babá, coroa Babá, coroa quem me deu foi Yemanjá

Foi Deus quem me deu coroa, coroa Babá coroa.
Foi Deus quem me deu coroa, coroa Babá coroa.
Coroa Babá, coroa Babá, coroa quem me deu foi Oxalá!

Motumbá pra quem é de Motumbá!
Kolofé pra quem é de Kolofé!
Mukuiu pra quem é de Mukuiu!
A Benção pra quem é de Benção!
Saravá pra quem é de Saravá!
Namastê pra quem é de Namastê!
Blessed be pra quem é de blesed be!
...E Salve a Magia pra quem acredita nela!
E o Manto de Maria para quem ainda é merecedor.

Nossa Senhora da Rosa Mistica: rogai por nós.

Pai Mateus de Xangô


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